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Regras de Política Monetária

Regra de Taylor: a taxa de juros implícita

Como calculamos a taxa de juros que uma regra mecânica recomendaria — e como ela é comparada com a Selic praticada para classificar a postura do Banco Central.

A regra de Taylor é uma fórmula simples que tenta responder a uma pergunta difícil: dada a inflação e o estado da atividade, qual deveria ser a taxa básica de juros? Proposta por John Taylor em 1993, ela virou uma referência universal para avaliar se a política monetária está apertada ou frouxa. No Observatório calculamos a versão de Clarida, Galí e Gertler, adaptada às metas de inflação brasileiras.

A fórmula

A taxa nominal implícita i* é a soma de quatro pedaços:

i* = r* + π + α·(π − π*) + β·hiato

  • r* — a taxa de juros real neutra, aquela que nem estimula nem freia a economia. Usamos 3,5% ao ano como estimativa estrutural.
  • π — a inflação corrente, medida pelo IPCA acumulado em 12 meses.
  • π* — a meta de inflação vigente, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
  • hiato — o hiato do produto, quanto a atividade está acima ou abaixo do seu potencial. Aproximamos pelo desvio do IBC-Br em relação à sua tendência, extraída com o filtro Hodrick-Prescott.

Os coeficientes calibrados são α = 1,5 (resposta ao desvio da inflação em relação à meta) e β = 0,5 (resposta ao hiato). O α maior que 1 é o chamado princípio de Taylor: para de fato controlar a inflação, o juro nominal precisa subir mais do que a inflação, elevando o juro real.

As metas de inflação ao longo do tempo

A meta π* não é fixa: ela mudou vários anos seguidos. Como a regra compara a inflação com a meta daquele período, usamos a série histórica definida pelo CMN — 4,50% até 2018, caindo gradualmente para 4,25% (2019), 4,00% (2020), 3,75% (2021), 3,50% (2022), 3,25% (2023) e 3,00% na meta contínua a partir de 2024. Ignorar essa trajetória distorceria o gap de inflação nos anos de transição.

Postura monetária

O valor da regra só ganha sentido quando comparado com a Selic que o Copom realmente praticou. Definimos uma banda de tolerância de ±0,5 ponto percentual:

  • Selic mais de 0,5 pp acima da taxa de Taylor → postura contracionista (juro mais alto do que a regra sugeriria).
  • Selic mais de 0,5 pp abaixo → postura expansionista.
  • Dentro da banda → postura neutra.

Limitações

A regra calibrada é uma ferramenta didática, não uma previsão da Selic. Ela usa a inflação passada em vez das expectativas, ignora a suavização de juros (o Copom move a taxa aos poucos) e depende de r* e do hiato, ambos não observáveis. Por isso pode divergir vários pontos percentuais da taxa efetiva. Para uma versão que adere aos dados, veja Taylor calibrada vs. estimada.